Reforma Tributária: Quase 90% das empresas admitem não estar preparadas, aponta pesquisa.

O levantamento revela a grave carência de profissionais capacitados, com somente 13,5% das equipes internas se declarando aptas a lidar com a nova estrutura tributária.

A menos de três meses do início do período de transição da Reforma Tributária, o cenário de preparação corporativa no Brasil é alarmante. Apenas 9,5% das empresas se consideram, de fato, preparadas para a transição que começa a valer em janeiro de 2026.

Este dado é resultado de um estudo realizado pela All Tax, especializada em automação fiscal, que ouviu 408 profissionais de 222 companhias sobre seus planos de adaptação ao novo sistema.

A crítica falta de preparo profissional

A pesquisa destaca a grave carência de profissionais capacitados internamente. Enquanto a transição se aproxima:

  • Somente 13,5% dos colaboradores afirmaram que suas empresas estão prontas para as mudanças estruturais nos tributos brasileiros.
  • Mais de 40% das companhias estão atualmente buscando ou em processo de implementação de novas soluções fiscais.
  • Entre 9% e 10% das empresas sequer iniciaram um plano de preparação para as mudanças.

Baixa adoção de tecnologia e divisão no mercado

O estudo aponta a baixa utilização de tax engines, sistemas que automatizam as regras fiscais nos softwares de gestão empresarial (ERP). Apenas 14% dos entrevistados utilizam essa tecnologia, que é essencial para reduzir erros e aumentar a eficiência nas operações tributárias durante a transição.

O mercado de soluções fiscais mostra-se dividido:

  • 48,3% das empresas preferem manter seus fornecedores de soluções fiscais atuais (conservadorismo).
  • 41,4% já estão ativamente em busca de novos parceiros ou adotando ferramentas diferentes (renovação).

Roberto de Lázari, diretor de Estratégia e Vendas da All Tax, reforça que o momento é decisivo: “O Brasil está diante de uma oportunidade histórica. A reforma pode ser vista como fardo ou como catalisador de produtividade. Quem enxergar a área fiscal como motor de governança e estratégia terá vantagem real na próxima década.”

PLP 108/2024: O Próximo Passo na Câmara

Em um desenvolvimento legislativo recente, o Senado aprovou no final de setembro o texto alternativo ao Projeto de Lei Complementar (PLP 108/2024), que regulamenta a segunda fase da reforma tributária sobre consumo e outros aspectos da Emenda Constitucional 132. O projeto, devido às alterações, retorna agora para análise da Câmara dos Deputados.

O texto aprovado estabelece as regras de governança, fiscalização e operação do novo sistema. Ele também cria o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que será responsável por administrar e distribuir o novo imposto, que substituirá o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto Sobre Serviços (ISS).

Vale lembrar que a reforma também instituiu a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), na esfera federal, compondo o novo modelo de tributação sobre o consumo.

Fonte: Exame

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