Fechamento fiscal: Dicas para vender sua empresa em 2026.
A organização das rotinas fiscais é um diferencial competitivo na avaliação do ativo. Erros tributários geram riscos operacionais que resultam em redução na oferta de compra. Manter finanças estruturadas eleva a confiança dos investidores e acelera a transação.
O encerramento do ciclo anual é um período de alta pressão para a gestão financeira. Dados da plataforma global Xero indicam que 71% dos tomadores de decisão consideram o final do ano estressante, apontando a conformidade tributária como o principal fator de desgaste (33%), seguida pela coleta de dados (32%) e o desafio de conciliar prazos fiscais com a operação diária (26%).
Para organizações que planejam captar investimentos ou ingressar em processos de Fusões e Aquisições (M&A) em 2026, esse cenário deixa de ser apenas burocrático e torna-se decisivo. O fechamento fiscal é a primeira “vitrine” para potenciais compradores avaliarem a solidez do ativo. Rodrigo Baraldi, Conselheiro Estratégico de M&As com um histórico de R$ 10,2 bilhões em operações assessoradas, enfatiza que erros no balanço fiscal podem depreciar o valuation, elevar custos tributários ou inviabilizar acordos.
A inconsistência entre a narrativa do empresário e os dados da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é uma das causas frequentes para a desistência de investidores. Segundo Baraldi, independentemente do porte da empresa, indicadores como EBITDA, dívida líquida, ciclo financeiro e índices de liquidez devem ser monitorados com rigor e transparência.
Para preparar as empresas para o próximo ciclo, o especialista destaca quatro frentes de atuação prioritárias:
1. Fortalecimento da Inteligência Financeira (CFO)
A contratação de um Diretor Financeiro (CFO) qualificado é essencial para empresas em fase de consolidação. Frequentemente, essa figura é acionada apenas quando o caixa já apresenta desorganização profunda. Atualmente, o mercado busca profissionais com bagagem sólida; dados da Russell Reynolds revelam que 40% das contratações globais recentes de CFOs priorizaram executivos experientes em companhias de capital aberto.
2. Revisão Tributária Preventiva
O final do ano é o momento ideal para mapear créditos não aproveitados e corrigir enquadramentos fiscais. Em um processo de auditoria (due diligence), a regularização de obrigações acessórias é vital. Compradores buscam ativos com baixa exposição a contingências e autuações, garantindo que o preço de venda não sofra retenções por riscos tributários ignorados.
3. Otimização de Processos Operacionais
A transição de ano permite redesenhar fluxos de trabalho para eliminar gargalos e padronizar relatórios. Processos ineficientes costumam gerar custos ocultos e excesso de pessoal, impactando diretamente as métricas de produtividade e rentabilidade. A previsibilidade operacional é uma das competências mais valorizadas em operações de saída (exit).
4. Estruturação da Cultura Organizacional
A cultura de uma empresa pode ser o fator decisivo para o sucesso ou o fracasso de uma integração pós-M&A. Gestores devem aproveitar o fechamento do ano para formalizar ferramentas de gestão cultural. Negligenciar a identidade e os valores da organização pode comprometer a continuidade do negócio após a entrada de um novo investidor.
O encerramento do exercício deve ser encarado não como um fardo administrativo, mas como uma oportunidade estratégica de sanear a operação e maximizar o valor de mercado da companhia para o futuro.
Fonte: Portal Contábeis


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