MEIs ampliam presença no atendimento presencial e reduzem o home office.
Trabalho em casa perde espaço entre MEIs: apenas 36% ainda adotam esse modelo.
A rotina dos microempreendedores individuais (MEIs) tem passado por uma transformação expressiva na última década. De acordo com a segunda edição do Atlas dos Pequenos Negócios, divulgada pelo Sebrae em 24 de setembro, o número de profissionais que utilizam a própria casa como local de trabalho vem diminuindo de forma consistente.
Em 2012, 43% dos MEIs atuavam em casa — percentual que subiu para 53% em 2015, mas recuou para 36% em 2024, mostrando uma clara tendência de migração para outros espaços de atendimento.
Entre as novas formas de atuação, o atendimento direto ao cliente, seja no domicílio do consumidor ou na sede da empresa contratante, ganhou destaque. Essa modalidade passou de 12% em 2015 para 18% em 2025, reforçando o movimento de aproximação entre os empreendedores e seus públicos. Já a proporção de MEIs com ponto comercial próprio manteve-se estável, em torno de 27% ao longo dos últimos anos.
Mudança de perfil e adaptação às novas demandas
Essa evolução mostra que o microempreendedor está cada vez mais atento às novas dinâmicas de consumo, relacionamento e prestação de serviços, buscando ampliar a visibilidade e consolidar sua base de clientes — fatores essenciais para a sustentabilidade financeira dos pequenos negócios.
MPEs mantêm presença forte em pontos comerciais
O levantamento também analisou o comportamento das microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), que apresentam um perfil distinto em relação aos MEIs. Nesse grupo, 76% das empresas operam em pontos comerciais, reforçando esse modelo como o mais comum.
Apenas 14% das MPEs mantêm suas atividades na própria residência — índice inferior ao observado entre os microempreendedores individuais. Entre 2017 e 2024, o número de negócios domésticos caiu de 21% para 14%, enquanto a presença em estabelecimentos comerciais subiu de 75% para 76%, mostrando uma preferência consolidada por estruturas físicas mais visíveis e formais.
Essa tendência reforça a importância do ponto comercial como estratégia para fortalecer a marca, facilitar o contato com o público e impulsionar o crescimento.
Panorama dos pequenos negócios no Brasil
Lançado originalmente em 2022, o Atlas dos Pequenos Negócios é considerado o estudo mais completo sobre o universo dos MEIs, MEs e EPPs no país. A pesquisa reúne dados oficiais, análises regionais e indicadores econômicos, permitindo identificar tendências de mercado, desafios de gestão e oportunidades de crescimento.
Os resultados do estudo contribuem diretamente para a formulação de políticas públicas e ações de fomento ao empreendedorismo, pilares fundamentais do trabalho desenvolvido pelo Sebrae em todo o Brasil.
O que isso significa para o microempreendedor?
A migração do trabalho em casa para espaços de atendimento direto reflete um movimento de profissionalização e expansão do MEI. Essa mudança exige maior atenção à formalização fiscal, à organização contábil e ao planejamento financeiro, já que o aumento da estrutura pode trazer novas obrigações tributárias e custos fixos.
Por isso, contar com o apoio de uma contabilidade especializada é essencial para manter a regularidade, aproveitar benefícios fiscais e garantir o crescimento sustentável do negócio.
Fonte: Contábeis Noticias


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