Regras da NR-1 vigoram em maio, mas apenas 18% do RH domina as exigências.
A nova NR-1 estabelece a obrigatoriedade na gestão de riscos psicossociais, mas o mercado acende um alerta: Apenas 18% dos profissionais de RH dominam as novas exigências, o que pode elevar o passivo trabalhista e comprometer a saúde mental corporativa.
Com a vigência da nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) agendada para o dia 26 de maio, o mercado de trabalho brasileiro enfrenta um desafio crítico de conformidade. Um dado alarmante reflete o cenário atual: apenas 18% dos profissionais de Recursos Humanos declaram ter domínio pleno sobre as atualizações da norma, especialmente no que tange à gestão de riscos psicossociais.
Este déficit de conhecimento foi o tema central da Masterclass “Liderança adaptativa e NR-1”, promovida pela comunidade RH Modo Atleta (Vik), com o suporte de organizações como Flash, Saint Paul, TotalPass e TOTVS. O debate contou com a participação de lideranças estratégicas, incluindo Isadora Gabriel (CHRO da Flash), Fábio Medeiros (Lobo de Rizzo Advogados) e José Maciel Filho (Mercado Livre), que analisaram o despreparo estrutural das empresas diante das novas obrigações legais.
O novo escopo da gestão de riscos ocupacionais
A atualização da NR-1 representa um marco na legislação de Saúde e Segurança do Trabalho (SST). A partir de agora, as organizações são obrigadas a identificar, mensurar e monitorar fatores de risco que antes ocupavam áreas cinzentas na fiscalização, como:
- Sobrecarga de trabalho e pressão excessiva;
- Níveis de estresse crônico;
- Ambiente organizacional e clima laboral.
Especialistas ressaltam que a norma não deve ser interpretada como uma nova “lei de saúde mental”, mas sim como uma expansão técnica do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). A exigência agora recai sobre a comprovação de medidas efetivas, migrando de ações paliativas para protocolos de mitigação com resultados auditáveis.
Desafios estruturais e a necessidade de integração
O descompasso entre a legislação e a prática é evidente. Metade das empresas brasileiras reconheceu que o adiamento da norma foi crucial para a tentativa de adaptação. No entanto, o baixo índice de compreensão entre os gestores de RH indica que muitas organizações ainda operam com vulnerabilidade técnica.
Um dos pontos de inflexão da nova NR-1 é a transversalidade. A responsabilidade pelos riscos psicossociais deixa de ser um silo da Engenharia de Segurança do Trabalho e exige uma força-tarefa integrada entre:
- Recursos Humanos: No monitoramento do clima e bem-estar.
- Departamento Jurídico: Na mitigação de passivos e interpretação normativa.
- Lideranças Diretas: Na execução prática das políticas de saúde ocupacional.
Impactos financeiros e jurídicos da não conformidade
A negligência quanto às novas diretrizes pode acarretar sérias consequências financeiras. As multas administrativas previstas variam de R$ 6 mil a R$ 100 mil, mas o risco real reside no aumento de ações trabalhistas e na caracterização de nexo causal em doenças ocupacionais, o que pode elevar drasticamente o passivo das empresas.
Um diferencial estratégico
Para além da obrigatoriedade legal, a NR-1 impõe uma mudança de paradigma na gestão de pessoas. Organizações que conseguirem converter dados psicossociais em estratégias de liderança assertivas não apenas evitarão sanções, como também consolidarão uma vantagem competitiva sustentável. Por outro lado, a manutenção de uma postura superficial diante do tema ampliará a exposição a riscos jurídicos e financeiros de grande magnitude.
Fonte: Portal Contábeis


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