IR 2026: Inconsistências atingem 20% das declarações.
Receita federal alerta sobre falhas na declaração pré-preenchida do ir 2026 e orienta a conferência rigorosa dos dados com os informes de rendimentos oficiais. A medida visa evitar que divergências sistêmicas levem o contribuinte à malha fina.
A entrega da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) 2026 tem apresentado um cenário atípico para os contribuintes brasileiros. Segundo dados da Receita Federal, o índice de declarações retidas em malha fina atingiu 19,3% no início do prazo, recuando posteriormente para 10,6%. A principal causa dessa volatilidade reside em inconsistências na base de dados da declaração pré-preenchida.
O Impacto do fim da DIRF e a migração para o eSocial
O ano de 2026 marca a consolidação de uma mudança estrutural na fiscalização tributária: o encerramento da DIRF (Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte). Com essa transição, o Fisco passou a alimentar o sistema pré-preenchido exclusivamente via eSocial e EFD-Reinf.
Essa mudança de fonte de dados expôs falhas técnicas, especialmente em pequenas e médias empresas, que enfrentam desafios na parametrização de rubricas. O resultado é a importação de dados equivocados para o sistema do contribuinte, gerando divergências imediatas no cruzamento de informações.
Principais inconsistências identificadas
As falhas de sistema e de preenchimento por parte das fontes pagadoras concentram-se em áreas críticas:
- Rendimentos do Trabalho: Erros na classificação de salários, férias e 13º salário, muitas vezes decorrentes de códigos de parametrização incorretos.
- Plano de Saúde: Ocorrência de duplicidade de informações, uma vez que os dados podem ter sido enviados simultaneamente pelo eSocial e pela EFD-Reinf.
- Lucros e Dividendos: Confusão no uso de códigos de natureza de rendimento, impactando diretamente sócios de empresas, inclusive do Simples Nacional.
- Rendimentos Isentos: Valores que deveriam gozar de isenção sendo erroneamente classificados como tributáveis, ou vice-versa.
Orientações ao Contribuinte: Como proceder diante de divergências
A Receita Federal reforça que a declaração pré-preenchida é uma facilidade, mas não exime o cidadão da responsabilidade pela veracidade das informações prestadas. Caso os dados sugeridos pelo sistema não coincidam com a realidade, o contribuinte deve adotar os seguintes passos:
- Priorize o Informe de Rendimentos: Em caso de conflito entre a pré-preenchida e o informe oficial (fornecido por empresas, bancos ou planos de saúde), a orientação é seguir rigorosamente o documento físico/oficial.
- Comprovação Documental: O contribuinte deve declarar apenas valores que possuam lastro documental (holerites, recibos e notas fiscais), independentemente do que sugere o sistema automatizado.
- Gestão junto à Fonte Pagadora: Ao detectar que a empresa enviou dados incorretos ao eSocial, é fundamental solicitar a retificação do evento (como o S-1210) junto ao RH ou contabilidade da organização.
- Monitoramento da Malha Fina: Uma vez que a empresa realize a correção nos sistemas da Receita, o processamento da declaração costuma ser atualizado automaticamente. Se a inconsistência persistir, pode ser necessário o envio de uma declaração retificadora.
Considerações Finais
A transição digital promovida pelo Fisco visa maior transparência, porém exige atenção redobrada neste período de adaptação. Com mais de 11 milhões de declarações já entregues, a recomendação para evitar a retenção prolongada em malha fina é a conferência minuciosa de cada item importado, garantindo que a base de dados da Receita Federal reflita, de fato, a realidade financeira do declarante.
O prazo para a entrega da DIRPF 2026 encerra-se em 29 de maio. Recomenda-se não deixar a conferência para os últimos dias, dada a necessidade de tempo hábil para eventuais correções junto às fontes pagadoras.
Fonte: Portal Contábeis


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